Práticas criativas para (sobre)viver o cotidiano.

COMEÇAR AGORA

Entradas possíveis

CARTA DO NUCS

Receba cartas do NuCS

Práticas, registros, encontros e pequenos desvios criativos enviados de vez em quando para o seu e-mail.
Sem algoritmo. Sem pressa. Sem spam.

EXPLORADOR DE PRÁTICAS

Explorar práticas

Ritmo
Linguagem
Modo
Abordagem

Portas que não levam a lugar nenhum

 Apresentação

Uma porta costuma ser percebida apenas como passagem. Esta prática propõe interromper esse automatismo.

O objetivo é observar uma porta como se fosse encontrada pela primeira vez.

Modo de atenção: Demorar-se
Operação artística: Registrar
Objeto cotidiano: Portas
Deslocamento poético: Como se fosse a primeira vez


Materiais

  • Papel
  • Lápis, caneta ou celular

Como fazer

  1. Escolha uma porta que você encontra frequentemente.
  2. Permaneça diante dela por alguns minutos sem atravessá-la.
  3. Observe marcas, arranhões, dobradiças, manchas, maçaneta e sombras.
  4. Registre aquilo que normalmente não chama sua atenção.
  5. Não desenhe a porta inteira.
  6. Faça apenas um registro dos detalhes encontrados.

Tempo aproximado

10 a 15 minutos


Pergunta final

O que você descobriu sobre um lugar que já conhecia?

O QUE É SER ORIGINAL?

Talvez a questão não seja descobrir como ser original, mas compreender como nos tornamos capazes de transformar aquilo que recebemos.


A busca pela originalidade costuma ocupar um lugar importante quando falamos sobre criação. Queremos ter ideias novas. Queremos fazer algo diferente. Queremos produzir algo que nunca tenha sido feito antes.

Mas será que é assim que a criação acontece?

Quando observamos com atenção os processos criativos, percebemos que as ideias raramente surgem do nada. Antes de um projeto existir, existem leituras, conversas, experiências, imagens, memórias e perguntas que foram se acumulando ao longo do tempo.

Existe um repertório.

Tudo aquilo que vemos, ouvimos, sentimos, estudamos e vivemos passa a compor uma espécie de arquivo pessoal. Nem sempre percebemos isso acontecendo, mas cada encontro deixa marcas. Algumas desaparecem rapidamente. Outras permanecem conosco por anos.

É desse território que muitas criações nascem. Por isso, talvez a originalidade não esteja na invenção de algo completamente novo. Talvez ela esteja na forma singular como cada pessoa reorganiza aquilo que encontrou pelo caminho.

Duas pessoas podem ler o mesmo livro, participar da mesma oficina ou caminhar pela mesma rua. Ainda assim, cada uma produzirá sentidos diferentes a partir dessa experiência. Isso acontece porque ninguém ocupa exatamente o mesmo lugar no mundo.

Criar é estabelecer relações.

É aproximar elementos que antes pareciam distantes. É perceber conexões inesperadas. É permitir que referências diversas conversem entre si.

Há uma diferença importante entre inspiração e repetição.

Inspirar-se em uma ideia é permitir que ela se transforme ao encontrar outras experiências, outras perguntas e outros modos de olhar. Repetir, por outro lado, é permanecer na superfície das formas.

Às vezes, o que parece originalidade é apenas reprodução com pequenas alterações visíveis. Mudam-se os nomes, reorganizam-se as palavras, adaptam-se algumas imagens. Mas os processos criativos deixam rastros que não podem ser copiados com tanta facilidade. Porque criar não é apenas produzir um resultado semelhante ao de alguém.

Criar é percorrer um caminho.

E caminhos não podem ser reproduzidos integralmente. Eles carregam leituras, encontros, dúvidas, experimentações, fracassos e descobertas que pertencem à história de quem os percorreu. Por isso a pergunta mais interessante talvez não seja "como fazer algo parecido?", mas "o que tenho a dizer a partir da minha própria experiência?" É dessa pergunta que costumam nascer as criações mais potentes.

Nesse sentido, reconhecer influências não enfraquece uma criação, pelo contrário, quando citamos autores, artistas, pesquisadores e pessoas que contribuíram para o nosso pensamento, tornamos visível a rede de relações que sustenta aquilo que fazemos.

Toda criação participa de uma conversa maior.

Uma conversa que começou antes de nós e que continuará depois de nós. Nenhuma ideia surge isolada. Nenhum projeto nasce completamente sozinho. O que existe são encontros, atravessamentos e transformações.

E talvez a originalidade não seja um ponto de partida, talvez ela seja uma consequência.

Uma consequência da atenção dedicada a uma questão. Do tempo investido em uma pesquisa. Das experiências que nos marcaram. Das referências que escolhemos cultivar. E, principalmente, da coragem de sustentar uma voz própria em vez de apenas reproduzir aquilo que já está pronto.

No fim das contas, ser original talvez não signifique criar algo que nunca existiu.

Talvez signifique criar algo que só poderia existir porque passou pelas suas mãos, pelo seu olhar e pela sua maneira particular de habitar o mundo.


COLAGEM DE PROTESTO: COLAGEM, FANZINE E LAMBE-LAMBE (2026)


O minicurso COLAGEM DE PROTESTO: Colagem, Fanzine e Lambe-lambe, realizado entre os dias 15 e 17 de julho de 2026 no âmbito das atividades do Núcleo de Criação Sensível (NuCS) com colaboração e divulgação do @sos_gatinhosdaufs e o Coletivo de Colagem - COLAS na Universidade Federal de Sergipe (UFS), teve como objetivo mobilizar práticas artísticas e gráficas como formas de sensibilização e reflexão sobre a situação dos gatos que habitam o campus universitário. Motivada pelas recentes mortes desses animais, a atividade buscou criar espaços de expressão coletiva capazes de tornar visível uma problemática frequentemente naturalizada, utilizando a arte como ferramenta de denúncia, cuidado e construção de narrativas.

Ao longo de três encontros, estudantes, artistas e membros da comunidade universitária foram convidados a experimentar linguagens acessíveis de criação e circulação de ideias, explorando a colagem, o fanzine e o lambe-lambe como estratégias de comunicação visual e intervenção no espaço público. A proposta partiu da compreensão de que a produção artística pode atuar como uma forma de dar visibilidade a questões urgentes do cotidiano, produzindo deslocamentos no modo como percebemos e nos relacionamos com os espaços que habitamos.

O primeiro encontro foi dedicado à prática da colagem. A partir de imagens, fotografias, recortes e materiais gráficos diversos, os participantes construíram composições visuais inspiradas na presença dos gatos do campus e nas questões relacionadas à sua sobrevivência. As produções foram desenvolvidas com o objetivo de serem posteriormente transformadas em lambes, articulando criação artística e intervenção urbana. A atividade foi conduzida por Camila Carol e Arialecrim.

No segundo dia, os participantes exploraram a produção de fanzines como meio de circulação independente de ideias, relatos e imagens. Foram discutidos aspectos históricos da cultura zine, bem como suas potencialidades como ferramenta de comunicação alternativa e mobilização coletiva. Durante a oficina, os participantes criaram publicações que reuniam textos, desenhos, colagens e reflexões sobre os gatos do campus e sobre as formas de cuidado compartilhadas na universidade. Este encontro foi ministrado por Mallia e Olivver Julia.

O terceiro encontro concentrou-se na finalização dos materiais produzidos e em sua circulação. Inicialmente, os participantes realizaram a dobra, montagem e acabamento dos fanzines. Em seguida, os lambes desenvolvidos durante o minicurso foram colados em diferentes espaços da Universidade Federal de Sergipe, transformando o campus em um território de manifestação visual e sensibilização coletiva. A atividade foi conduzida por Vagalumi.

O minicurso buscou promover processos criativos comprometidos com a observação do cotidiano e com a construção de formas coletivas de cuidado. Ao utilizar papel, cola e tesoura para produzir imagens, narrativas e intervenções, os participantes transformaram a inquietação diante das mortes dos gatos do campus em ações concretas de expressão e mobilização. Como resultado, foram produzidos fanzines e lambes que ampliaram a visibilidade da questão, reafirmando a arte como uma ferramenta capaz de gerar diálogo, sensibilização e participação coletiva.

A atividade integrou as ações formativas independentes do Núcleo de Criação Sensível (NuCS) na Universidade Federal de Sergipe, reunindo diferentes pessoas em torno de uma experiência de criação compartilhada que articulou arte, ativismo e cuidado com a vida que habita os espaços universitários.


CLIQUE AQUI PARA VER AS FOTOS DO ENCONTRO

COLAGEM DE PROTESTO: COLAGEM, FANZINE, LAMBE-LAMBE (2026)

 Mini-curso realizado de 15 à 15 de julho em parceria com o @sos_gatinhosdaufs e com o Coletivo de Colagem (COLAS)

confira mais o intagram @nucs.artes

 










OLHAR O MUNDO: ARTES VISUAIS E COTIDIANO (2026)


O minicurso Olhar o Mundo: Artes Visuais e Cotidiano, realizado entre os dias 02 e 06 de fevereiro de 2026 no Laboratório de Representação Bidimensional do Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade Federal de Sergipe (DAVD/UFS), teve como objetivo investigar o cotidiano como um campo fértil para a criação artística. Partindo da compreensão de que a experiência estética pode emergir das situações mais comuns da vida diária, a atividade propôs aos participantes o desenvolvimento de um projeto autoral construído a partir de observações, registros e experimentações realizadas ao longo dos encontros.

Durante cinco dias, estudantes, artistas iniciantes e interessados em processos criativos foram convidados a exercitar diferentes formas de atenção ao cotidiano, explorando maneiras de transformar experiências aparentemente ordinárias em matéria para a produção visual. O curso articulou discussões teóricas, análise de referências artísticas e atividades práticas, promovendo uma aproximação entre criação, percepção e experiência.

O primeiro encontro foi dedicado à observação e ao registro do cotidiano, incentivando os participantes a reconhecerem situações, objetos, percursos e acontecimentos diários como potenciais disparadores para a criação artística. Em seguida, foram exploradas questões relacionadas à memória e ao arquivo pessoal, compreendendo fotografias, anotações e coleções particulares como formas de construção de narrativas visuais e de elaboração poética da experiência.

Nos encontros seguintes, o minicurso abordou as relações entre cidade, deslocamento e cartografia visual, propondo reflexões sobre os modos como habitamos os espaços urbanos e produzimos significados a partir deles. Também foram realizadas experimentações voltadas para a materialidade dos objetos cotidianos, investigando como elementos comuns podem ser ressignificados por meio de procedimentos artísticos e transformados em dispositivos poéticos.

A etapa final do percurso concentrou-se nas relações entre texto e imagem, explorando a palavra como elemento visual e narrativo capaz de ampliar os sentidos das produções desenvolvidas. Ao longo do processo, os participantes foram estimulados a experimentar diferentes linguagens, técnicas e estratégias de criação, articulando observação, memória, materialidade e narrativa em propostas visuais autorais.

Mais do que ensinar técnicas específicas, o minicurso buscou fomentar modos de olhar e perceber o mundo, incentivando a construção de processos criativos atentos às experiências do cotidiano. Como resultado, os participantes desenvolveram trabalhos que evidenciaram a potência estética presente nos gestos, objetos, trajetos e acontecimentos que compõem a vida diária, reafirmando o cotidiano como espaço de invenção, reflexão e criação artística.

A atividade foi ministrada por Júlia Oliveira Santos, sob supervisão da Profa. Marjorie Garrido Severo, integrando as ações formativas do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Sergipe.


CLIQUE AQUI PARA VER AS FOTOS DO ENCONTRO

MINI-CURSO OLHAR O MUNDO: ARTES VISUAIS E COTIDIANO (2026)

 Mini-curso realizado de 02 à 06 de fevereiro com apoio do Departamento de Artes Visuais e Design (DAVD-UFS)

confira mais o intagram @nucs.artes